Era um dia de primavera no Hemisfério Norte. O céu estava claro e o clima ameno naquela cidadezinha às margens do Tejo. A família toda reunida em Alferrarede para o batizado. Ela tinha quatro anos; era praticamente uma moça já. A demora em torná-la uma cristã oficial se deu porque naquela época não se pagavam viagens aéreas em 10 vezes no cartão de crédito e nem a concorrência entre as empresas era tão grande no mundo, o que hoje baixa os preços e gera promoções relâmpago. Avião ainda era coisa para poucos.
Assim, até se juntar uns trocados para levar toda a família para Portugal demorou um pouco. Mas seus pais faziam questão que os padrinhos da menina fossem velhos amigos da África: Otília e Júlio. E assim foi. Otília falava pelos cotovelos, e não era por conta do batismo, não. Era natural. Era dela. E no português de Portugal tornava quase indecifráveis suas palavras às meninas do Brasil ainda pequenas. Júlio, uma simpatia. Cara de bom moço. Jeito de bom moço. Bom moço.
Enfim, as meninas estavam de vestidos claros, com chapéu de tecido à lá anos 20. Não me lembro bem da igreja em si, mas é muito forte em minha memória a imagem dos jardins pelos quais passeei antes e depois da celebração. Não sei se eram jardins da própria igreja, de uma praça perto. Alguma coisa assim. Recordo que havia até uma pequena ponte japonesa, daquelas pintadas por Monet.
A família toda reunida, seria mais um batizado. Mais uma cerimônia religiosa comum. Não fosse pelo fato de o padre ser cortado algumas vezes em sua celebração da missa porque a ainda pagãzinha o interrompia. E com assobios. A menina não parava de assobiar. Ela tinha aprendido fazia pouco a artimanha e foi assim que resolveu entrar na igreja: assobiando.
Ah, o nome da menina é Kátia.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Ama de leite
Além da Fada Madrinha, hoje também é o dia da Ama de Leite (com a mudança ortográfica não sei mais se estes hífens permanecem ou se já caíram).
Ama é uma mulher que amamenta o neném de outra família. No Brasil, vimos em algumas novelas, quem desempenhava esse papel nas grandes fazendas eram escravas negras.
As amas existem até hoje e algumas oferecem apenas o leite sem o ato de amamentar. Quem quiser doar o alimento não pode beber, fumar ou tomar remédios. Em resumo: precisa ser saudável.
Tem todo um procedimento para retirar o leite que deve ser seguido minuciosamente pela doadora. No Brasil, é proibido remunerar essas mulheres. Na Europa e nos Estados Unidos a tarefa pode ser paga. E pagam bem: o litro do leite pode chegar a nada menos que US$ 50,00.
Para quem quiser informações sobre os bancos de leite em todo o País, pode ligar para o 0800-268877.
Meu Dia!!!
Não, Matheo. Hoje não é meu aniversário (anote aí: 9 de maio). Nem é dia da tia. Nem da madrinha. Mas hoje também considero meu dia. Por quê? Porque, segundo a Wikipedia, hoje é dia da Fada Madrinha!!! Aeeeeee Uhhuuuuu.
Lá, explica que a fada madrinha é uma personagem muito comum nos contos de fada. Geralmente é uma entidade mágica, que protege e sempre aparece para atender os desejos e interesses de seus protegidos – vou tentar ser assim com você, Matheo, mas veja só: tudo tem limites e você já é muito mimado pelos vovôs e vovós....
O site diz ainda que, em alguns contos, a fada madrinha é uma senhora, geralmente de idade (não é o meu caso, pois estou na flor da idade, claro, hehehehehe), que protege alguém durante toda a vida. As princesas têm sempre uma fada madrinha, mas embora seja madrinha das princesas, também pode ser de pessoas pobres. Nos contos tradicionais, essas fadas costumam oferecer pão e pôr moedas nas meias dos pobres – no seu caso, acho que vai preferir carrinhos e uma poupança para a universidade, né?
A data de 5 de fevereiro foi escolhida porque as fadas costumam receber uma homenagem especial dos gauleses nesse dia.
(Fala sério: é cada coisa que a gente descobre nessa internet, né?)
Lá, explica que a fada madrinha é uma personagem muito comum nos contos de fada. Geralmente é uma entidade mágica, que protege e sempre aparece para atender os desejos e interesses de seus protegidos – vou tentar ser assim com você, Matheo, mas veja só: tudo tem limites e você já é muito mimado pelos vovôs e vovós....
O site diz ainda que, em alguns contos, a fada madrinha é uma senhora, geralmente de idade (não é o meu caso, pois estou na flor da idade, claro, hehehehehe), que protege alguém durante toda a vida. As princesas têm sempre uma fada madrinha, mas embora seja madrinha das princesas, também pode ser de pessoas pobres. Nos contos tradicionais, essas fadas costumam oferecer pão e pôr moedas nas meias dos pobres – no seu caso, acho que vai preferir carrinhos e uma poupança para a universidade, né?
A data de 5 de fevereiro foi escolhida porque as fadas costumam receber uma homenagem especial dos gauleses nesse dia.
(Fala sério: é cada coisa que a gente descobre nessa internet, né?)
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Conselhos
Vovó Laura me mandou isto em dezembro. Acho que vai bem a calhar hoje:
"Conselhos de uma avó ... lindo
Da minha precoce nostalgia
Por Maria Sanz Martins
Quando eu for bem velhinha, espero receber a graça de, num dia de domingo, me sentar na poltrona da biblioteca e, bebendo um cálice de Porto, dizer a minha neta:
- Querida, venha cá. Feche a porta com cuidado e sente-se aqui ao meu lado. Tenho umas coisas pra te contar.
E assim, dizer apontando o indicador para o alto: - O nome disso não é conselho, isso se chama corroboração!
Eu vivi, ensinei, aprendi, caí, levantei e cheguei a algumas conclusões. E agora, do alto dos meus 82 anos, com os ossos frágeis a pele mole e os cabelos brancos, minha alma é o que me resta saudável e forte.
Por isso, vou colocar mais ou menos assim:
É preciso coragem para ser feliz. Seja valente.
Siga sempre seu coração. Para onde ele for, seu sangue, suas veias e seus olhos também irão.
E satisfaça seus desejos. Esse é seu direito e obrigação.
Entenda que o tempo é um paciente professor que irá te fazer crescer, mas escolha entre ser uma grande menina ou uma menina grande, vai depender só de você.
Tenha poucos e bons amigos. Tenha filhos. Tenha um jardim.
Aproveite sua casa, mas vá a Fernando de Noronha, a Barcelona e a Austrália.
Cuide bem dos seus dentes.
Experimente, mude, corte os cabelos. Ame. Ame pra valer, mesmo que ele seja o carteiro.
Não corra o risco de envelhecer dizendo "ah, se eu tivesse feito..."
Tenha uma vida rica de vida.
(Vai que o carteiro ganha na loteria - tudo é possível, e o futuro é imprevisível.)
Viva romances de cinema, contos de fada e casos de novela.
Faça sexo, mas não sinta vergonha de preferir fazer amor.
E tome conta sempre da sua reputação, ela é um bem inestimável. Porque sim, as pessoas comentam, reparam, e se você der chance elas inventam também detalhes desnecessários.
Se for se casar, faça por amor. Não faça por segurança, carinho ou status.
A sabedoria convencional recomenda que você se case com alguém parecido com você, mas isso pode ser um saco!
Prefira a recomendação da natureza, que com a justificativa de aperfeiçoar os genes na reprodução, sugere que você procure alguém diferente de você. Mas para ter sucesso nessa questão, acredite no
olfato e desconfie da visão. É o seu nariz quem diz a verdade quando o assunto é paixão.
Faça do fogão, do pente, da caneta, do papel e do armário, seus instrumentos de criação. Leia.
Pinte, desenhe, escreva. E por favor, dance, dance, dance até o fim, se não por você, o faça por mim.
Compreenda seus pais. Eles te amam para além da sua imaginação, sempre fizeram o melhor que puderam, e sempre farão.
Cultive os amigos. Eles são a natureza ao nosso favor e uma das formas mais raras de amor.
Não cultive as mágoas - porque se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que um único pontinho preto num oceano branco deixa tudo cinza.
Era só isso minha querida. Agora é a sua vez. Por favor, encha mais uma vez minha taça e me conte: como vai você?"
"Conselhos de uma avó ... lindo
Da minha precoce nostalgia
Por Maria Sanz Martins
Quando eu for bem velhinha, espero receber a graça de, num dia de domingo, me sentar na poltrona da biblioteca e, bebendo um cálice de Porto, dizer a minha neta:
- Querida, venha cá. Feche a porta com cuidado e sente-se aqui ao meu lado. Tenho umas coisas pra te contar.
E assim, dizer apontando o indicador para o alto: - O nome disso não é conselho, isso se chama corroboração!
Eu vivi, ensinei, aprendi, caí, levantei e cheguei a algumas conclusões. E agora, do alto dos meus 82 anos, com os ossos frágeis a pele mole e os cabelos brancos, minha alma é o que me resta saudável e forte.
Por isso, vou colocar mais ou menos assim:
É preciso coragem para ser feliz. Seja valente.
Siga sempre seu coração. Para onde ele for, seu sangue, suas veias e seus olhos também irão.
E satisfaça seus desejos. Esse é seu direito e obrigação.
Entenda que o tempo é um paciente professor que irá te fazer crescer, mas escolha entre ser uma grande menina ou uma menina grande, vai depender só de você.
Tenha poucos e bons amigos. Tenha filhos. Tenha um jardim.
Aproveite sua casa, mas vá a Fernando de Noronha, a Barcelona e a Austrália.
Cuide bem dos seus dentes.
Experimente, mude, corte os cabelos. Ame. Ame pra valer, mesmo que ele seja o carteiro.
Não corra o risco de envelhecer dizendo "ah, se eu tivesse feito..."
Tenha uma vida rica de vida.
(Vai que o carteiro ganha na loteria - tudo é possível, e o futuro é imprevisível.)
Viva romances de cinema, contos de fada e casos de novela.
Faça sexo, mas não sinta vergonha de preferir fazer amor.
E tome conta sempre da sua reputação, ela é um bem inestimável. Porque sim, as pessoas comentam, reparam, e se você der chance elas inventam também detalhes desnecessários.
Se for se casar, faça por amor. Não faça por segurança, carinho ou status.
A sabedoria convencional recomenda que você se case com alguém parecido com você, mas isso pode ser um saco!
Prefira a recomendação da natureza, que com a justificativa de aperfeiçoar os genes na reprodução, sugere que você procure alguém diferente de você. Mas para ter sucesso nessa questão, acredite no
olfato e desconfie da visão. É o seu nariz quem diz a verdade quando o assunto é paixão.
Faça do fogão, do pente, da caneta, do papel e do armário, seus instrumentos de criação. Leia.
Pinte, desenhe, escreva. E por favor, dance, dance, dance até o fim, se não por você, o faça por mim.
Compreenda seus pais. Eles te amam para além da sua imaginação, sempre fizeram o melhor que puderam, e sempre farão.
Cultive os amigos. Eles são a natureza ao nosso favor e uma das formas mais raras de amor.
Não cultive as mágoas - porque se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que um único pontinho preto num oceano branco deixa tudo cinza.
Era só isso minha querida. Agora é a sua vez. Por favor, encha mais uma vez minha taça e me conte: como vai você?"
Bom retorno!
Hoje, os bisas embarcam de volta para Portugal. Vovó Laura vai levá-los. Esperamos que façam boa viagem e que fiquem com a imagem do meninão em suas cabeças. Vovó mandou um email dizendo que vai sentir falta de fazer os comentários. Nós também sentiremos saudades de lê-los.
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